Minha arte estava à venda.
Minhas fotos vendidas, não compradas...
Minhas palavras ditas, não escutadas.
Tudo à venda. Nada foi comprado.
Meus sonhos vendidos... Nada realizado.
Os alunos, os métodos, os conceitos...
Nada de fato mudado.
Preços altos, ofertas mínimas.
Likes não concretizados.
Sem likes, cem likes...
tanto faz. Preço por like,
arte sem valor.
O preço da fotografia cara,
é o celular no espelho.
Quanto mais espelhos,
quanto mais celulares,
mais gastos, mais likes.
A revolta do não like é infinita.
Cada vazio de jóia, cada não like dado...
O desgosto, feito e instalado.
O link não tava linkado.
Conexões sem links,
Cães sem natureza,
escovados, bem tratados,
Milhões de likes dados.
Os dados compõem, mais cães ricos em apartamentos.
Mais humanos pobres a vender likes pros cães não sarnentos.
O apartamento é grande, o cão é pequeno, tem tudo,
Tem rede social, tem cama, tem edredom, e um dono sem estudo.
O humano, na rua, sem conexão.
Sem social, sem rede, sem balanço.
Os likes à venda, a arte com renda.
Mas a renda não vende, rende-se.
Escravidão da arte, do povo, do preço.
A foto não é mais arte, é reflexo no espelho.
Uma foto é ego, não retrata. Só maltrada, o que não tem espelho.
O iPhone no meio do rosto... Onde está sua face? No face?
Não face, não há face. Ao face vamos pagar, com likes.
Sem face ela mostra seu celular, sorri, debocha, se mostra.
Sem likes, mortes
Cem likes, amigos.
Sem face, sem book, sem nada. Só há likes?
Se gostas, gostas, não me gostas, solidão?
Minha arte não custa likes, só custa reflexão.
Thiago Leite
❤❤❤❤
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