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Um professor sonhador, artista em crise constante e um poeta de coração.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Dezembro...

Ainda é cedo para cuspir palavras.
Dezembro já passa da metade. Eles não voltarão.
O passado sempre estará marcado pelas faltas que dezembro nos deu.
O novo ano sempre começa depois da tristeza de Dezembro. O ciclo recomeça... O nascimento, a morte.
Dezembro é lágrima, dezembro é dor. Dezembro é o fim do ano. Nele carrega-se o peso de um ano de escolhas, sentidos, pensamentos e escolhas. Dezembro finda o ano, o círculo.

As palavras ainda podem ser ditas até o fim de dezembro, ainda posso decidir entre cuspi-las ou engoli-las. Dezembro sempre me força a escolher. Decisões? O ano vai acabar. Vamos repensar.
Dezembro é dez... Era para acabar antes, porém enfiaram mais dois meses de graça. Dezembro é peso, é o doze agora. Não se pode mais contar nos dedos, passa-se da conta possível, fica no imaginário do que ele representa.

Isso é ruim? Não necessariamente. Dezembro acaba, recomeça a vida. Ciclo acaba. Isso é bom.
Não vou mais cuspir palavras para nada.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

sobre a ótica de uma outra ótica.

Como é possível enxergar o mundo pelos olhos de outrem?
Fico me perguntando qual é a relação de perceber o mundo por outros olhos... Esta possível e bem efêmera sensação de que podemos entender como o outro percebe o mundo. Existem tênues hipóteses deste curioso pensamento.

Arte... Articulando o sonho de receber a proposta de uma nova ótica, vejo que dentro de obras artísticas poderíamos conceber o mundo por uma outra perspectiva. Mas ainda assim, fico confuso com este pensamento. Uma foto, por exemplo. Ali posso ver por uma vaga possibilidade, a poesia do fotógrafo. Mas ao passar a imagem para meu cérebro, automaticamente, decodificarei esta imagem para as minhas entranhas e estranhas subjetividades.

Acho que nunca olharei o mundo com outros olhos, apenas com os meus. Não consigo sair de mim.
Mas posso olhar o mundo pelas cores e filtros que os outros me dão. Não será com os olhos deles, mas será com seu coração.

Sobre alguns sentimentos...

Comecei esse texto umas 15 vezes.
Repensei nestas palavras 20 vezes... 
Rescrevi minhas ideias. 
Não continuei meus verdadeiros pensamentos. 


Não saber

Não saber não é pecado. 
Não saber não é ruim. 
Desde que eu saiba que não sei. 
Abaixo minha cabeça, penso que posso ir mais longe. Mas estou travado. Minha arte não quer seguir adiante. Enfadonha crise que me cerca, que me finda, que me bloqueia. 

Não sei o que escrever, descabelo meus pensamentos (porque não tenho cabelo) para tentar achar o que criar. Paro e penso: O que devo criar? Não sei! 
Mente vazia de sonhos sem utopia. 
Sigo, caminho e caminho. Qual caminho devo tomar? 

Poesia sem métrica é minha marca, odeio enquadrar-me em formas. 
Mas deveria? A liberdade diz que não, tampouco acredito em liberdade. 
Odeio o que me prende, a liberdade me prende. 
Só sei que estou preso porque a liberdade existe. Ou porque sei que ela existe. 

Só foi preciso existir a palavra liberdade porque existe a não liberdade. Onde isso nasceu? 
Não sei o que quero. Onde vou, Mas paro para pensar que não preciso saber, desde que não queira parar de caminhar. 

Não saber, não saber... 


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Por que mandar seu filho para o Acampamento Aruanã?

Você já se imaginou eterno? Já se imaginou completo? 
São, estas, perguntas concretas para o entendimento deste texto. 

Nós precisamos de algumas conexões para seguirmos nossa caminhada humana. Conexões simples, que vem de forma simples também. Mas que com tanta simplicidade constroem uma gama de possibilidades e de sensações que não se pode explicar apenas por simplicidade ou uma ou outra emoção. 

Sou monitor do acampamento, sempre fico com o grupo de crianças menores. Geralmente entre 4 a 7 anos. O que me faz perceber o mundo por outra ótica, perceber que as coisas que eles enxergam são outras. E que para ver, não basta olhar, é preciso um mergulho de coisas vivas. Coisas que o acampamento Aruanã nos proporciona. Saio do dormitório 9h para estar no refeitório às 9h05. Porém esta tarefa quase nunca é cumprida, pois os meninos param para ver um inseto que está carregando outro, mais adiante param para ver uma flor que tem uma cor diferente, e mais adiante, param porque um barulho de um pássaro lhes chamou a atenção. 

Visto pelo ponto de vista prático, pode não ser nada legal, contudo, do ponto de vista humano, se conectar com coisas que trazem o sentimento de pertencer ao mundo, é incrivelmente fantástico. Os meninos me ensinam muito sobre o tempo. O tempo que não para, não opina, apenas é. Tempo que para eles, não existe o passado, tampouco o futuro, os meninos estão extremamente conectados ao presente. Lá, o presente Aruanã. 

Conversas infinitas com eles me foram presenteadas. Como quando o Gustavo me fazia milhões de perguntas sobre uma história que lhes contei. Ou quando ele descobre que o almoço vai ser sem talheres e que ele ama sentir a textura e se lambuzar enquanto come. Quando o Manú, diz que quer ficar ali por mais uma semana ou me faz perguntas sobre para onde vai o lixo orgânico. Quando o Luca e o Mateus se integram ao grupo fazendo a conexões interpessoais porque explorar o espaço para eles já é algo comum. E, quando o Gian Lucca para para cada inseto que ele encontra, dá nome, se apaixona pela vida em suas mãos e devolve o bicho com respeito e luto, mas principalmente como um ato de amor. 

Uma semana em tempo real. Tempo que não é perdido, apenas vivido, cheio de vida e de tudo que se traduz como momentos inesquecíveis. Como conviver, conectar-se com o outro de forma respeitosa, vívida. São muitos risos, olhares, abraços, "bom dias”, “boa noites”, e muitos, muitos momentos compartilhados, curtidos e comentados sem ao menos precisar de um celular. É como viver e se sentir parte de uma grande carga elétrica, livre no ar, que só há amor, só há conexão cheia de tudo que nos liga.  De tudo que nos torna humanos. 

Momentos simples e grandes, cheios de emoção e vida. Mas, principalmente, cheios de presente. Dádivas concebidas pelo olhar de um acampamento que nos possibilita o simples, o contemplar de coisas belas, pelo olhar de grandes crianças, grandes humanos. Coisas que nos fazem perceber que não é a grande estrutura do acampamento, tampouco sua grande quantidade de piscinas, muito menos seu acervo de fantasias e materiais esportivos… Mas tudo aquilo que nos faz sentir as conexões humanas. Presentes no mundo. Perdidos no tempo, porque não há tempo atras, nem tempo adiante, apenas presente. Presente no Aruanã. 

Thiago Leite - Tio Piolho
Julho - 2018



sexta-feira, 29 de junho de 2018

Gente, Muda!



Duvido, muito. 
O tempo todo. Tudo corre. 
Tudo anda. 
Nada muda. 

Tudo muda, 
tudo o muda. 
mundo muda. 
Povo Mudo! 

No mundo, 
Raimundo trabalha, 
O mundo gira. 
Raimundo Mudo.

Tantas Raimundas
Milhares de Raimundos, 
todos mudos, 
Nesse mundo. 

E agora "José" Raimundo? 
Se não mudas, 
mudarás por ti. 
Seguirás, mudo. 
Seguirás sem mundo. 

Eu mudo, 
Você mudo,
Você muda, 
Eles surdos. 

Tantos gritos.
Em vão. 
Tantas Vitórias, 
Se vão. 

O mundo continua a girar, 
O Vitor, virorioso, 
tanto faz, tanto fez. 
Mudou. 

Só há dúvida, 
só há -mor. 
Só há mudança... 
se tiver liberdade. 
Só há movimento, 
se tiver amor. 

(Thiago Leite)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

É duro, camarada!

Há uma coisa em mim. 
Me corrói, me consome. 
porém, tampouco me mata. 
Me faz resistir e seguir. 

Existo no agora, 
resistindo. 
Durando. 
É duro, camarada!

Dói de todos os lados. 
Me faz pensar... 
o que faço? 
Resisto... 

Aquele tempo absoluto 
que mostra quem chora, 
quem segue, 
quem vive. 
É duro, camarada. 

Camarada é duro pensar
que é só. Só é. 
O mundo gira e não para, 
parar para quê? Disse ele? 

Há um ser dentro de mim 
que pensa: Dói? 
Por que não há morte? 
Sorte? 

Vamos, seguindo... 
Esquerda? 
Direita? 
pra frente? Mas atras não vem gente. 

Camarada, é duro! 
Não há para onde fugir. 
Só doer. Ficar dentro de si. 
Sentir a dor que dói. 

A dor que dói 
sem liberdade, 
a dor que dói
sem permissão. 

Esta dor que dói 
bem no acorde principal.
Da melodia...
da harmonia... 

Há dor, 
há vida. 
Há um tudo que é nosso. 
Há um tudo que é nada. 

O mundo gira e dói. 
É duro, camarada. 
Só seguir. Mas é duro! 
É duro, Durar. 

(Thiago Leite)

domingo, 1 de abril de 2018

O Tempo da Escola

Por tempo escolar entende-se um período, talvez de um ano letivo, bimestres, trimestres, etc. Estes que caracterizam-se no tempo que as crianças ficam nas escolas, sujeitas ao aprendizado e a tudo que se propõe à elas.
Contudo, convido você para que faça uma reflexão comigo.
Tempo, tão valioso momento caro, que por muitas vezes vendemos fazendo dele nossa mercadoria. Portanto a escola é um grande mercado de tempo.
Alunos compram o tempo de professores que o vendem afim de ensinar coisas aos estudantes para um tempo FUTURO. Nunca se aprende para o PRESENTE. Sempre estamos pensando em ensinar um futuro cidadão, ou como diria Nietzche, produzindo adultos nesta máquina chamada de escola.

Penso, como professor, em sair de casa, trabalhar, largar família e outros afazeres para apenas vender meu tempo para algo futuro? Acho que estamos equivocados. Pois a escola deveria ser algo para o presente existente. Aprendendo coisas realmente importantes e que tenham SIGNIFICADO para o discente, no que diz respeito à sua vida HOJE. Lembrando que o que se aprende agora, aplica-se agora, jamais será esquecido. Digo isso para os preocupados de plantão que se fazem pensar apenas no que será a criança quando adulta.

Falo estas palavras sobre o tempo pois percebo que educamos apenas para tempos inexistentes. Nunca para o que significa ser o "Ser Humano" que "é" e não "o que virá um dia a ser". Talvez seja difícil de considerar outro planejamento que nos faça repensar toda nossa prática de tempo escolar. Mas viver de futuro é complicado. Ainda mais quando se diz Educação. Há mil saídas para este problema, mas o futuro não existe,  ele existirá. Desta forma pensamos apenas no que existirá e não no que AINDA está existindo.

Fico refletindo entre os alunos, observando-os. A maioria nem quer estar na escola, sequer pensam no que significa o "hoje" - palavra tão importante para nós, mas muitas vezes esquecida na nossa prática.
Esquecemos que o importante é o trajeto e não o destino final. Esquecemos quantas coisas lindas passam no decorrer do dia ao aprender as coisas para a vida e nunca "para ser alguém no futuro", pois assim estaríamos esquecemos que as crianças já são alguém.

"O Futuro Cidadão precisa de um pouco de presente..." (Bertolt Brecht)

Compartilho estas palavras que já foram ditas em várias línguas, em vários pensamentos e livros, por vários autores... nas se este assunto ainda é pertinente é porque o PRESENTE ainda não é importante!

Thiago Leite
Abril, 2018