O sangue que corre nas veias, ele é morto.
Não tem vida este sangue. Dos obscuros canudos vermelhos
que passam por todo meu corpo. Não os vejo, não os sinto. Apenas
os lamento.
Uma pressão de não fazer nada. De pressão em Pressão… anseio
o tudo. Agora é tudo, agora é nada.
De pressão em pressão a ânsia pelo nada, O correr de tudo.
É amar e não amar. É arrepender-se tudo, mesmo não tendo feito nada.
O nada nada em meu sangue, a culpa em meus olhos. O sonho derrete-se
em lágrimas. Não há amor em mim. Não há silêncio, mesmo sem nada escutar.
Esmurro-me. Mas não sinto dor. Esfaqueio-me, mas Não escorre o sangue.
Eu luto, mesmo não tendo braços. Meu luto antecipado. Só penso no meu luto.
Luto para não pensar.
A sala está escura. A mente cambalhota em todos os cantos.
Há velas em todas as quinas. Há velas em tudo que vejo.
Em todos os cantos ouço o canto da vela sacudir suas sombras.
Meu olhos estáticos, acompanham esta vela. Grito e não me escuto.
Falo palavras sem sentido. O sentido das palavras é pra fora. Sentido pra fora, colocado para dentro. Sinto-me mais forte, coração está mais fraco. Mas bate compassadas de samba enredo. O som da glória. O som do cheiro. O som das veias, o som das velas. O som dos cantos, os quatro cantos da sala, aos quatro cantos escuto. Não há barulho,
não há silêncio. Confuso?
Há confusão. Há penas, todos sentem pena dele. Apenas ele sente orgulho. Ele luta. Todos em luto. Há penas. Apenas eu, confuso, há horas, o fuso, há horas, há segundos, há primeiros e há o último suspiro. Doce, leve, pesado, salgado lacrimejo. O suspiro é doce, Só o primeiro. O suspiro último é salgado. Há sal no rosto. Há sal nos olhos, Milágrimas, milagres, mil lutas… Milênios, MILAGRES EM MIM.
Antíteses em mim.
MARAVILHOSAS Palavras duras e doces de uma alma triste que canta encanta e desencanta ;-)
ResponderExcluir