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Um professor sonhador, artista em crise constante e um poeta de coração.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Sentido ArUniverso

Como de costume proponho-me a escrever algumas palavras sobre a experiência pedagógica de um acampamento no qual "trabalho". O que me custa um certo tempo a pensar sobre as grandes reflexões a que o próprio Acampamento Aruanã me provocou a refletir. É realmente de suma importância o registro de tais pensamentos a que nos colocamos por uma semana em uma imersão total.

Não há ser humano que sobreviva sem pessoas, sem conexões e muito menos sem SENTIDO. O sentir, o sentimento… Sentido pode ter várias conotações, mas é principalmente o motor para o ser humano. Sentido, palavra de certa forma pesada. Mas vamos lá, proponho que a  destrinchamos fazendo dela um real quebra cabeça porque só há possibilidade de pensarmos, se fizermos uma confusão, criando uma real dúvida.

Sentido, para os militares é posição. Sentido para um viajante é para onde se está indo. Sentido para a educação é a real maneira de se conseguir alguma conexão, um momento, e que este momento é o senhor de nós. O plantar em nós as sementes de um mundo cheio de árvores em que seus fartos frutos é preencher de sentimento algo que se poderia fazer apenas por fazer.

Não há bandeira que dure uma vida para que o ser humano entenda o que realmente significa olhar para o outro e reconhecer-se como que em um espelho. Não há ideologia que dure, que perdure para que entendamos o real motivo de estarmos aqui conectados e preenchidos de sentido. Para tanto, é possível pensar que a experiência de viver por uma semana algo que é realmente cheio de sentimento e que por horas é possível pensar que nem é real, Pode ser uma das maiores experiências de quem a vive. Porque é impregnar de sentido o que fazemos de fato para um bem maior.

Só há uma coisa que define o SENTIDO de tudo que é SENTIDO nesta experiência. Só há uma possibilidade de pensar o que significa a intensidade de tudo que explode como dinamite no peito e desce em lágrimas para expressar o mundo que há dentro de alguns pedaços de terra e natureza. O envolvimento e a responsabilidade com o mundo. Não é chatice, não é ser bitolado, não é ser exigente, é sobre viver em comunidade, é sobre viver pensando no outro e o quão importante é fazer sentido o que se faz junto. É SOBREVIVER.

Traz para quem vive, um grande momento, algo que sé é impossível de esquecer. Que passa pelo peito, escorre na alma o que se faz com muito sentido. É possível existir isso, e só é possível porque o mundo que queremos é o mundo perfeito. Onde não há distinção entre homens e mulheres, crianças e adultos, sorrir e chorar, sol e chuva. Porque o presente (dádiva) é concebida de uma forma livre, aberta, amorosa e complexa. Não se trata de bandeiras, ideologias, pensamentos políticos, porque a real ideia, é amor pelo ser humano.

Olhar no olho, sorrir o sorriso, chorar as lágrimas, pensar a natureza, pensar o outro, pensar o mundo do jeito que sonhamos, pensar a criatividade… fazer o mundo ganhar sentimento, ganhar Sentido! Fazer o corpo transpirar este sentimento que nos revela o nosso verdadeiro motivo de ser Humano. Humanizar o que se pode, tratar o mundo com respeito, descobrir que o mundo pode ser perfeito, descobrir que não há nenhum problema em ver o que o mundo tem para nos oferecer. Tudo.

Agora, o que fica é a saudade, a vontade, a sede de ter mais um pouco do mundo lindo que criamos. O que fica é a consciência da multiplicação de tudo que criamos para enfim, podermos dizer que o Aruanã é a maquete do grande projeto do mundo que queremos, onde se vive o discutível, onde se ama o amor, onde se sente como é fazer parte de algo grande, chamado de mundo. UNIVERSO! Onde se sente que a saudade tem sentido porque ela abre o caminho pra voltar, voltar… até que um dia, de grão em grão, não precisaremos mais voltar porque o mundo que criamos se tornou realidade. Feliz cidade. À vida… Ao ArUniverso.

Por Thiago Leite - Piolho