Quem sou eu

Minha foto
Um professor sonhador, artista em crise constante e um poeta de coração.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O tempo de ser feliz - texto de 2007

A felicidade avisou ao vento
que viria com o tempo.
o tempo disse que não pode vir ainda, pois seu tempo está curto demais.
Mandou pedir ao momento...
Mas onde está o momento?
Também disse que só pode vir com o tempo que está sem tempo no momento.
A felicidade que não é boba nem nada, resolveu vir sem tempo e sem momento mesmo, pois se dependesse de tudo isso, o momento e o tempo de ser feliz, só viria quando as pessoas resolvessem
olhar para si e para os outros com uma forma linda, diferente e principalmente amorosa.
A felicidade veio, ficou e não sai mais.

Thiago Leite - 14/04/2007

o Sabor do Anil

Uma luta interna!
Entre o eu e o mim...
contra tudo, todos...
e mais o porvir!

Aquilo que quero seguir,
o que a boca balbucia!
Mas o cerebro não pronuncia!
E o coração não quer agir!

Como és?
Por que não me segues?
O que há com seus pés?


A cabeça, interna-mente.
O cerebro, interna-amor!
Eu interno, só há dor.

Dor da dúvida,
Duvida a dor de mim...
se venço, ó vida!
Eu, contra mim...

Assim como em fantasia.
O sentimento me alicia!
do ramo à árvore.
da lebre à águia...
sonha com teu dia.

Sou todo em dúvidas,
metade x metade.
Metade eu, metade mim...
Cólicas... seu eu, sem mim.

Não acalma teus leões.
Feras doentis,
Parta para a briga,
mas não me deixes mais ainda.

Poesia sem sentido,
com sentido cor de anil...
tem sabor, tem cheiro...
mas quem conhece anil?

Quero-te igual a mim,
tal qual espero em imitar,
mas te quero tão você,
sem se quer modificar.

Te quero sempre igual,
ao que foi... passado
Jamais terei eu,
um mim, tão desigual.

O que é fotografar???

Das entranhas mais profundas de cada ser humano,
existe uma necessidade de se expressar por meio de alguma coisa
que lhe faça bem!
Por muitas vezes, não quero me expressar por entre as palavras reles que digo,
então apelo ao meu olhar!
Tão cego. Tão ele. Mesmo manco, não falha.
Ele sempre ha de me mostrar.


Fotografia!!!

Nostalgia é algo impressionante!
Nos mostra um pouco daquilo que sempre sentimos quando
estamos em algum lugar...
Esta visão sempre me deixará assim,
Nostágico...
Me mostrando o meu mundo em sonhos, nos momentos que eu vivo e compartilho
um pouco de mim, um pouco dos meus gostos,
um pouco do meu amor... Um pouco do meu jeito aventura de ver o mundo.
Não importa quando lá eu vou, ou quando fui, com que pessoas estive, ou talvez
em épocas que passei por lá...  O que importa, é o que revivo...
Momentos que passei com pessoas queridas... histórias que poderei contar com coração...
Nostálgico, verdadeiro...
Fotografia!!!

2011



A pele

Pele, pelanca, película... 
Pelo, pelagem, pelado... 
O corpo, o órgão. 
Coisa de pele. 
Coisas da pele. 
O toque, o sentido.
O tato. 
A pele tateia em mim. 
Tateio em tudo, 
olhos fechados, 
nariz tampado. 
Gosto de sal na boca. 

Tateio a pele, 
tateio os amigos. 
Tateio os sentidos. 
Sinto. Sentia, Sentimento. 
me sinto sozinho. 
A teia esbarra em mim. 
É preciso precisar? 
Preciso da teia, 
em nós. Para desatá-los. 
Uma teia que nos envolve.
Nos rodeia. 
O sentir é preciso. 
A pele sente, desaba, descansa. 
Tato, pele e cansaço. 
Conexão é teia. 
Tecer em nós o nosso sentido. 
A tecitura da teia de nós. 
Nos faz sentir a conexão de nós. 
O tecido é grosso, é fino, lento é macio. 
O texto de nós é complexo, 
desatá-lo é lento, é inteiro, por metades. 

O pelo é fino, pelagem sem pele. 
O porte da pele, o tom da coragem, 
coisas de pele. Coisas da pele. 
O vasto sentido do outro na teia. 
Enrosca, desata, desfaz, destrói. 
É preciso precisar? 
O nó não está em nós, 
em nós devem haver laços. 
Os laços de nós... coragem. 
Nossa teia, nosso texto, 
nossa pele. 
Nossos laços, 
sem nós. 


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O pulso do sangue.

O sangue pulsa.
Ele acelera meu pensar.
Culpado é, por toda ansia.
Por todo ofegante caminhar.
Sangue maldito, fraco, sem vida.
Sangue sem sangue. Sem saída.
Sangue sem olhar,
Sangue sem cheiro,
Sangue só palpita.
Só corre, só sangue.
Sem Guiar, sem calma.
Sangue grita. Sem defesa.
O sangue chora, ele escorre,
ele corre...
O gosto do sangue, o gosto do ferro.
Não gosto de ferro, não gosto de sangue.
Não gosto. O gosto. O forte.
Pulsar, pular, percorrer.
Sangue sem felicidade.
Sangue de ansiedade...
Sangue tanto vasto, tão quente.
Tão sangue quanto ele é,
Tão sem vida como eu que sou.
Ele cheira a medo.
Ele cheira a lodo, a lama... vastidão...
O sangue tem cheiro de mangue.
Podre, sem coração.
Onde nasce a flor de lotus,
onde nasce a escuridão,
A ausência de luz.
A falta de compaixão.
Daquela que é a si próprio o som
das notas que ecoam no vácuo.
no nada.
Sangue sem nutrientes, sangue sem
vermelhidão.

Do sangue só há poesia.
Que é a única questão que me sobra.
Da morte fiz a arte,
da vida não fiz, fazia.
Fazia sentido, no sangue.
Ele hoje só faz eco, vazio. Bate forte,
bate corrido, mas não bate com sentido.
Sangue, lotus e coração.

Thiago Leite

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Minha arte não custa Likes.

Minha arte estava à venda. 
Minhas fotos vendidas, não compradas...
Minhas palavras ditas, não escutadas. 
Tudo à venda. Nada foi comprado. 
Meus sonhos vendidos... Nada realizado. 
Os alunos, os métodos, os conceitos... 
Nada de fato mudado. 

Preços altos, ofertas mínimas. 

Likes não concretizados. 
Sem likes, cem likes... 
tanto faz. Preço por like, 
arte sem valor. 

O preço da fotografia cara, 

é o celular no espelho. 
Quanto mais espelhos, 
quanto mais celulares, 
mais gastos, mais likes. 

A revolta do não like é infinita. 

Cada vazio de jóia, cada não like dado...
O desgosto, feito e instalado. 
O link não tava linkado. 

Conexões sem links, 

Cães sem natureza, 
escovados, bem tratados, 
Milhões de likes dados. 

Os dados compõem, mais cães ricos em apartamentos.

Mais humanos pobres a vender likes pros cães não sarnentos. 
O apartamento é grande, o cão é pequeno, tem tudo,
Tem rede social, tem cama, tem edredom, e um dono sem estudo. 

O humano, na rua, sem conexão. 

Sem social, sem rede, sem balanço. 
Os likes à venda, a arte com renda. 
Mas a renda não vende, rende-se. 

Escravidão da arte, do povo, do preço. 

A foto não é mais arte, é reflexo no espelho. 
Uma foto é ego, não retrata. Só maltrada, o que não tem espelho. 
O iPhone no meio do rosto... Onde está sua face? No face? 

Não face, não há face. Ao face vamos pagar, com likes. 

Sem face ela mostra seu celular, sorri, debocha, se mostra. 
Sem likes, mortes
Cem likes, amigos. 
Sem face, sem book, sem nada. Só há likes? 
Se gostas, gostas, não me gostas, solidão?  

Minha arte não custa likes, só custa reflexão. 



Thiago Leite

domingo, 15 de setembro de 2019

Antíteses em mim.

O sangue que corre nas veias, ele é morto. 
Não tem vida este sangue. Dos obscuros canudos vermelhos
que passam por todo meu corpo. Não os vejo, não os sinto. Apenas
os lamento. 
Uma pressão de não fazer nada. De pressão em Pressão… anseio 
o tudo. Agora é tudo, agora é nada. 


De pressão em pressão a ânsia pelo nada, O correr de tudo. 
É amar e não amar. É arrepender-se tudo, mesmo não tendo feito nada. 
O nada nada em meu sangue, a culpa em meus olhos. O sonho derrete-se 
em lágrimas. Não há amor em mim. Não há silêncio, mesmo sem nada escutar. 


Esmurro-me. Mas não sinto dor. Esfaqueio-me, mas Não escorre o sangue. 
Eu luto, mesmo não tendo braços. Meu luto antecipado. Só penso no meu luto. 
Luto para não pensar. 


A sala está escura. A mente cambalhota em todos os cantos. 
Há velas em todas as quinas. Há velas em tudo que vejo. 
Em todos os cantos ouço o canto da vela sacudir suas sombras. 


Meu olhos estáticos, acompanham esta vela. Grito e não me escuto. 
Falo palavras sem sentido. O sentido das palavras é pra fora. Sentido pra fora, colocado para dentro. Sinto-me mais forte, coração está mais fraco. Mas bate compassadas de samba enredo. O som da glória. O som do cheiro. O som das veias, o som das velas. O som dos cantos, os quatro cantos da sala, aos quatro cantos escuto. Não há barulho, 
não há silêncio. Confuso? 


Há confusão. Há penas, todos sentem pena dele. Apenas ele sente orgulho. Ele luta. Todos em luto. Há penas. Apenas eu, confuso, há horas, o fuso, há horas, há segundos, há primeiros e há o último suspiro. Doce, leve, pesado, salgado lacrimejo. O suspiro é doce, Só o primeiro. O suspiro último é salgado. Há sal no rosto. Há sal nos olhos, Milágrimas, milagres, mil lutas… Milênios, MILAGRES EM MIM. 


Antíteses em mim. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Parecer perto. Para ser perto.

Sabe quantas vezes você já passou pela mesma pessoa que não conhece e sem ao menos perceber?
O que na sua vida interfere na vida do outro? Da outra…? 
Consequência de atos,  ecos, sons e sorrisos. 
Ver pessoas, falar com pessoas. Cheiros e sabores. 
Olhos, narizes e bocas, peles e silhuetas. Sombras e formas. 
Pessoas… Atrás… atraem, traem? 
As palavras, as bocas, os timbres. Quem são? Pessoas…
Eles, elas, todos e todas. 
Entoas, atoas e ações. 
Pessoas são. Pessoa é. 
Ou quem sabe, ao contrário de tudo que vemos. 
Pessoas são, Pessoas vão, pessoas tem, pessoas. 
O que me soa, é que não há mais a conexão entre elas. 
Imagina se todos e todas que passamos tivéssemos que conectarmo-nos de alguma forma. 
Quanto tempo chegaria ao seu destino depois de tantas conexões? 
Eu vejo, eu paro, eu me conecto. 
Pessoas são atos. Ações. 
O eco que causas em mim, a marcha que desenvolve em nós. 
Os nós, o nós existe? 
Desatamos em nós. O nós estão cegos. Cegueira múltipla, existente em nós. 
Nós sem laços. Nós sem pessoas. 
Desatamos. 
Desejamos. 
Engessamos… 
Engrenamos… 
Forjar o laço. 
temer o contato. 
Não comunicas nada. Por quê? 
Vem, vai… se vão. Em vão. O vão é enorme entre nós. 
Não há mais amor. Não há mais. Não há. 
Palavras que lavras ao vento, palavras. Leve, leve e leve…


Thiago Leite

domingo, 1 de setembro de 2019

Não pode ser "normal"

Já não pode ser normal.
Encarar o revolver na mão de uma criança.
Não pode ser normal.
Na mão do ladrão é feio,
do justiceiro é corriqueiro e normal.
Da criança brincando de matador,
perfeitamente cômodo.

Virou normal. Virou normal matar o outro pelo meu senso.
Virou normal achar que posso matar.
Virou normal com arma brincar.
Virou Normal.

A norma é clara.
O que mata BANDIDO é bom.
Mas e o que mata o cidadão?
ora... Bandido não é cidadão?

Eu mato o outro porque acho certo.
Mas quando matam um dos meus,
O mundo acaba. Bandido bom, é bandido morto.

No fim, todos são humanos,
uns mais, outros menos.
Uns com tanto, outros com pouco.
Mas o que importa, é o que digo.
Bandido bom, é bandido morto.

Minha justiça é a que vale.
e A vida? Quem é que decide?
real, amigo. Virou normal.
O que mata, o revolver, virou brinquedo.
BRINQUEDO! BRINQUEDO!
BRINQUEDO! BRINQUEDO!

Brincar com algo que é mortal.
Mas é só brinquedo.
Não é só. É brinquedo, virou normal.
Brincar com o símbolo da dor...

Virou normal. Ta tudo normal.