Quem sou eu

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Um professor sonhador, artista em crise constante e um poeta de coração.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Me deixe ser o que sou!


A costela de Adão camufla a sexualidade. 

Todo menino aprende a ser macho. Objetivamente é assim que as coisas funcionam. Ele vai crescendo e aprendendo que ele tem de ser MACHO. Não foi diferente comigo. Não estava livre para ser o que eu quisesse SER. Isso é culpa de alguém? A culpa é de todes e de cada um e cada uma. Somos todes responsáveis pela criação machista que damos às nossas crianças. E hoje, principalmente falo sobre a criação de meninos. 

Eu ouvia de adultos homens com frequência frases fortes como "Eaí, já ta namorando? Quem é elA?" / "Já descascou a banana?" / "Acho que fulana gosta de você. Ela tá te olhando..." / "Mexe com aquela menina ali na rua! Dá seu telefone para ela!" ... e váááárias outras que só de lembrar, me fazem mal. O fato corriqueiro de ser feito macho é "natural" - tanto que homem nenhum se questiona com muita natureza. É sempre preciso algo ou alguém que o faça pensar sobre essa masculinidade tóxica. Somos isso e pronto. 

Eu não fui criado para ser livre sexualmente, tampouco falar disso com naturalidade. Eu, pelo meio, não tinha abertura a ser o que eu era. Mas tem coisas que são mais fortes que nós. Porém mais dia, menos dia, elas aparecem e nos arrastam. Um dia eu seguiria minha sexualidade sendo o que sou porque é muita beleza para ficar escondida. E depois de tempos de terapia, perceber e me reconhecer dentro da sigla LGBTQI+ é um super avanço dentro de quem eu sou. 

Minha militância contra o machismo é sobre isso, deixarem os meninos serem o que são. Apenas. Dentro dos meninos podem ter: Meninas heteros, meninas bi, meninas pan... ou podem ter: meninos bi, meninos heteros, meninos homo, meninos pan, meninos...  E assim vai! A diversidade sexual deve ser respeitada desde a infância. Não significa forçar a criança a ser algo, mas deixar ser o que é. 


AXÉ

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Claustrofobia


Claustrofobia parece até nome de filme de terror, né? 
Mas na realidade é a história de um menino sufocado. Que aprendeu a viver quieto, calado na caixa de papelão imaginária que fez pra si próprio. Alguns chamam de criança acanhada, mimada, estranha, problemática?
Tímido? Ou intimidado? 
Fez xixi na cama até seus 6 / 7 anos. Chupou dedo até essa idade também. 
Não conseguia aprender matemática, sentia medo de algumas pessoas ao seu redor. 
Não entendia onde lhe doía. Mas aprendeu a não reclamar da dor. 
Sentia cheiros que lhe lembravam momentos, pessoas, lugares... 
Quando criticado, chorava. Mas na caixa, mesmo sufocado ele cresceu. A caixa pequena para ele, rasgou. Ele remodelou a caixa e fez personagens de papel que contam sua história para outras crianças. 
Hoje ele vive de arte e alfazema.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

De novo, o "Novo Normal"!



Então as coisas estão se forçando ao "novo normal". Embora eu não concorde com esse termo: "NOVO NORMAL"- Não posso aceitar que isso que estamos passando seja normal, seja ok. Eu quero e preciso acreditar que as coisas ainda voltam a ficar menos tensas e mais calmas. O fim deve ser algo menos ridículo do que isso. Seja o fim conosco, ou não. Mas sonho com um dia as pessoas terem mais liberdade. Em todos os sentidos. 

Não é novidade que sou professor e que amo essa profissão, mesmo sendo de pura luta diária. Paciência, ideias, pensamentos e vigilância constante. E ano passado passamos o ano em aulas remotas, puramente assim. Se reinventando do jeito que dava. Não quis me entregar ao pensamento que iríamos ficar muito tempo assim. Mas me dei mal, e ainda estamos nesse cenário. Com a mudança que as coisas estão se forçando ao normal, retomando aos poucos do jeito que dá, assim mesmo, à pauladas. 

Na escola que trabalho (rede particular com alunos de classe baixa e média baixa) estamos sendo bem prudentes para esse retorno, com poucos alunos em sala, muito álcool, muito distanciamento e percebo os alunos comprando a ideia da segurança. A princípio estava preocupado com isso, achando que não daria certo esse retorno, mas hoje acredito que está sendo possível. 

Falei aos meus alunos e minhas alunas que estamos sendo pioneiros nesse risco, experimentando e dando o primeiro passo para tal momento. Mesmo sendo complicadíssimo. E sinto-me assim mesmo. Contudo, também penso que pode ser fatal esse risco, porque muitos podem não voltar disso. Enfim, é sempre um risco ficar em casa, quanto ir à escola. Todos os sentidos são perigosos, seja para a saúde mental, espiritual, física, etc. 

No fim, fiz todo esse começo para dizer que a sensação de dar aula de teatro presencialmente me fez lembrar o quanto é maravilhoso esse encontro com pessoas, que é maravilhoso brincar de teatro com alunEs. Que é fantástico o jogo de interpretar e como senti uma energia maravilhosa vindo deles para mim e de mim para eles. Foi incrível. Inclusive pelo horário híbrido de dias em casa, dias dias na escola, senti ir para a escola deu uma nova energia para quando estamos em casa pelo computador. 

Na primeira aula que dei presencial, parecia que estava fazendo isso pela primeira vez. De certa forma estava. Pós uma Pandemia como esta, é como se estivéssemos revivendo de novo. Reaprendendo o que antes, com facilidade, fazíamos. Me emocionei ao ver os olhinhos atentos a mim. Vi cada aluna e cada aluno ali e pensei, vai recomeçar mesmo. Quando comecei os jogos de teatro, fiquei fascinado com o que via, interação, abraço à distância, momento feliz. Uns tímidos, outros extrovertidos. Mas todes ali. Fortes. 

Enfim, me fiz forte, me fiz amplo e cheio de vida! 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Os Eus de mim III




Peraí... foram tantos personagens que não cabiam aqui. Mas a reflexão da imagem me trouxe o mesmo sentimentos como se estivessem aí, todos. Então passo a pensar o quanto cada personagem, me deu. Cada sonho que passou por mim e me comoveu. Assim eu penso que os palhaços foram os que mais me deixaram heranças. 

Cada sorrir, cada gesto desajeitado, cada tombo, tapa ou choro de um palhaço foram de me fazer pensar que tal qual eu sou. Intenso, criativo? Sei lá, são tantos os eus de mim que não pude conhecer a fundo cada um deles. A confusão em mim está uniforme e organizada. É confuso, mas é meu, mas é propriedade minha e o maior desejo é o meu Ser, ser meu. 

Cada eu de mim tem um tom de pessoas que passam ou passaram por mim. Quem sabe, ousadamente, até aqueles que ainda passarão. Livres feitos asas, liberdade e sorrisos. Os eus de mim hoje estão agradecendo por eu estar nessa busca deles. Nesse conserto da mente. Neste concerto de sons perdidos e que agora recupero catando cada um como cada concha recolhida na areia da praia. 

Destaquei meus olhos em cada imagem para que as pessoas pudessem ver onde está a minha alma. Ali, no olhar de sempre. No sopro de vista, na palavra não dita, no riso escondido nos cílios. Horas de pedido e súplica de ajuda, horas de prontidão de ajudar. Tentando nunca ser ausência. Vestindo-me de mim. Do eu...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Meus eus de mim II


É difícil fazer essa análise. Após 2 anos de terapia, passei a me olhar de um forma mais completa. E não significa que esteja inteira. Os anos da minha vida (são 34 ao todo) passaram e muitas coisas foram vistas por mim e em mim. Mas não é incomum as pessoas ficarem na dúvida de quem sou eu. Se sou sério, animado, calmo ou estressado... "macho" ou "viado". 

A verdade é que existem muitos de mim. Não gosto de me limitar em uma personalidade fixa e instransmutável. Já ouvi dizer que pessoas que aprenderam a fingir a vida toda, conseguem formar seus papéis artísticos com mais facilidade. Há quem não concorde com esta premissa. Mas o fato é que posso ser quem eu quiser, desde que seja do meu interior. O meu completo e agente senhor de mim mesmo. 

Máscaras sociais são comuns. Mas as Máscaras que eu escolho tornar comum aos meus pares são, hoje, as que quero mostrar de fato. Aquela de um Thiago mais diversificado. Mais aplicado a ouvir e compreender as diferenças do mundo. Faço caretas para sair da normalidade do ser. Porque ser normal é passado. Normas e padrões servem para não assustar pessoas. Mas que então fechem os olhos. 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Meus eus de mim I


Todos os eus de mim clamam pela minha presença. É uma crença de que me encontro comigo mesmo e com meu eu. Unidos. Então pela lei de mim, concedo meus sonhos. Concedo a mim minha proteção e minha companhia. 
Somos enfim os caminhantes da própria estrada esburacada. Mas que com passos largos, ou curtos esquivamos estes obstáculos. 
Essa criança, não está perdida. Sou meu eu apenas tentando enxergar o som da cor, dos sabores, dos sentires. Essa criança é o passado de um ser que tenta ser livre. 
Os eus de mim, são esponjas de sentimentos e ações estranhas. Os meus eus passados tentam até hoje entender o que lhe ocorreu. 
Estremece, mas o que lhe sobra são as dores transformadas em arte. Meu eu. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Aos meus.


Essa é a imagem que compõe o meu "eu" de hoje. Querendo a tal da reforma íntima. Trabalhando para isso. Mas não é fácil. Pra isso, conto com apoio e trabalho psiquiátrico, psicanalítico, espiritual, e grandeosamente com amigues. 

A tal da frase de que ninguém é uma ilha é real. É fato. Todes precisamos de apoio. E isso é fundamental. Sabe aquela luz no fim do túnel? Que te faz olhar, pensar, resistir... é isso. Um sopro fresco em dias quentes; Um cobertor quentinho em dias frios... 

Nesta imagem tem símbolos fortes. Grandes e de muita força. Aspectos que tem me feito crescer feito uma planta. Tem sempre um porquê para cada imagem que colo, mas esta me pareceu especial, porque nela compus ideias de um apoio de verdadeiro amor, fé, sorrisos e de muita luta. 

Amigues que me incentivaram a buscar ajuda, amigues que com símbolos pequenos me impulsionaram para coisas que me apaixonei. Situações engraçadas que vivi com essas pessoas; Pessoas que eu cresci junto, que me viram crescer, que me deram asas, que me deram sementes e me ensinaram a plantar, que encostaram a mão para que eu pudesse apoiar... sonhar! 

Esta imagem composta com carinho e muito zelo diz sobre você. Sobre nós e como você tem me ajudado a sair "dessa". 
Gratidão!

Não tenha dúvida. Você entendeu mesmo. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Pride


São tantas coisas para pensar, que é até difícil começar. 
"Homem é homem, menino é menino..." a famosa música brega diz tudo e não diz nada. 

Nós somos ensinades a não falar sobre sexualidade. Mesmo porque, "todo mundo devia ser hetero". Ninguém se importa se no meio da galera tem um ser que nasceu "fora do esperado". Aí espera-se que ela faça um discurso sobre sua "anormalidade" para os outros. Porque as pessoas gostam de serem avisadas sobre isso. 

Amigos, família, parentes esperam, que se for esse o seu caso, serem avisados e que aconteça a famosa "saída do armário" - eu escutava sempre... "fulano saiu do armário. Você viu?" E isso vai martelando, martelando... até que um dia, o prego ta preso ninguém pode falar sobre isso. 

Maperalá! Bora com calma, isso devia ser tratado de outra forma, sair do armário é uma oração muito forte para ser conjugada assim. Se você colocou a pessoa, simbolicamente, no seu armário, quem tem que tirar o simbolismo de lá é tu. Não ela. 

Mas é algo muito além onde eu quero chegar. Não se trata daquilo que a pessoa não disse durante anos. Mas daquilo que disseram para ela não dizer. Até hoje a diversidade sexual é tratada com muitos dedos. Pisando em ovos. Criando casos... 

Ao invés de esperar ser avisade sobre isso, espere que todo mundo abra a janela do seu coração e deixe o arco-íris entrar... deixe o Sol iluminar a sua vida. Espere que todes sejam livres para conjugar o amor que amar. Tratar com surpresa algo normal, cria nas pessoas o senso de que aquilo é errado, que aquilo é ruim. 

Existem vários pontos de vista de enxergar esse posicionamento. Mas a minha versão é que não devíamos considerar todo cidadão e toda cidadão como heterossexual uma vez que no mundo a diversidade sexual é tão rica e cheia de amor. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Odoyá


"A mamãe ta chorando porque eu vou me encantar...
A mamãe é culpada da mãe d'água me levar...
O não chora, não chora mamãe.
O não chora, não chora papai...
A mãe d'água me leva, a mãe d'água me leva, a mãe d'água me traz..."  (cantiga popular)

Me lembro de quando me deparei com uma imagem de mamãe Iemanjá em Fernando de Noronha. Minha irmã ficou tomando sol. E eu caminhei 3km de praia em uma areia muito fofa e muito fina. Lá na encosta da praia, ela estava observando tudo. Não era da Umbanda ainda. Mas algo ali me tocou e eu tinha certeza que ela comigo falava. Uma energia forte de encantar, de te embalar e dizer. "Toma o teu colo, meu filho. Mamãe ta aqui." E então não demorou muito pra eu conhecer o que hoje eu chamo de minha religião. Não é só a energia. Mas todo um simbolismo. Um misto de sentidos que me convidam a sempre refletir, sentir e me curar. É algo que fala dentro de mim. Que me toca, conforta e me faz feliz. Que Mãe Iemanjá acalante a todes em suas águas caldalosas e tranquilas.
Odoyá!
Axé

sábado, 30 de janeiro de 2021

Escutar-me



É vertiginoso se auto-conhecer. A gente se sente grande e pequeno, velho e miúdo. Tudo que fazemos é despejar a palavra dita. Avançar no sinal vermelho de vergonha, sorrir para si e pensar que suas dores descobertas, são delícias mastigadas pela boca boa. Aquela que saliva e faz falar a boa palavra. É constante e infinito o autoconhecimento. É terno e brusco, é forte e leve. Tem dias que a gente grita, tem dias a gente mal sussurra. Mas a palavra dita nos surra e segue, acaricia e belisca. A palavra dita na escuta ativa é pitoresca, porque faz sentir-se no palanque, onde se fala para ser escutado. Quando falo na sessão de psicanálise, me escuto no meu auto-palanque, faço uma escutatória, que na hora parece fala aleatória, mas que no fim de mim, fala a escuta do eu. Então, me acho, me encontro e me apresento a mim. Conheço-me enfim.