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Um professor sonhador, artista em crise constante e um poeta de coração.

sábado, 30 de janeiro de 2021

Escutar-me



É vertiginoso se auto-conhecer. A gente se sente grande e pequeno, velho e miúdo. Tudo que fazemos é despejar a palavra dita. Avançar no sinal vermelho de vergonha, sorrir para si e pensar que suas dores descobertas, são delícias mastigadas pela boca boa. Aquela que saliva e faz falar a boa palavra. É constante e infinito o autoconhecimento. É terno e brusco, é forte e leve. Tem dias que a gente grita, tem dias a gente mal sussurra. Mas a palavra dita nos surra e segue, acaricia e belisca. A palavra dita na escuta ativa é pitoresca, porque faz sentir-se no palanque, onde se fala para ser escutado. Quando falo na sessão de psicanálise, me escuto no meu auto-palanque, faço uma escutatória, que na hora parece fala aleatória, mas que no fim de mim, fala a escuta do eu. Então, me acho, me encontro e me apresento a mim. Conheço-me enfim.