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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Por que mandar seu filho para o Acampamento Aruanã?

Você já se imaginou eterno? Já se imaginou completo? 
São, estas, perguntas concretas para o entendimento deste texto. 

Nós precisamos de algumas conexões para seguirmos nossa caminhada humana. Conexões simples, que vem de forma simples também. Mas que com tanta simplicidade constroem uma gama de possibilidades e de sensações que não se pode explicar apenas por simplicidade ou uma ou outra emoção. 

Sou monitor do acampamento, sempre fico com o grupo de crianças menores. Geralmente entre 4 a 7 anos. O que me faz perceber o mundo por outra ótica, perceber que as coisas que eles enxergam são outras. E que para ver, não basta olhar, é preciso um mergulho de coisas vivas. Coisas que o acampamento Aruanã nos proporciona. Saio do dormitório 9h para estar no refeitório às 9h05. Porém esta tarefa quase nunca é cumprida, pois os meninos param para ver um inseto que está carregando outro, mais adiante param para ver uma flor que tem uma cor diferente, e mais adiante, param porque um barulho de um pássaro lhes chamou a atenção. 

Visto pelo ponto de vista prático, pode não ser nada legal, contudo, do ponto de vista humano, se conectar com coisas que trazem o sentimento de pertencer ao mundo, é incrivelmente fantástico. Os meninos me ensinam muito sobre o tempo. O tempo que não para, não opina, apenas é. Tempo que para eles, não existe o passado, tampouco o futuro, os meninos estão extremamente conectados ao presente. Lá, o presente Aruanã. 

Conversas infinitas com eles me foram presenteadas. Como quando o Gustavo me fazia milhões de perguntas sobre uma história que lhes contei. Ou quando ele descobre que o almoço vai ser sem talheres e que ele ama sentir a textura e se lambuzar enquanto come. Quando o Manú, diz que quer ficar ali por mais uma semana ou me faz perguntas sobre para onde vai o lixo orgânico. Quando o Luca e o Mateus se integram ao grupo fazendo a conexões interpessoais porque explorar o espaço para eles já é algo comum. E, quando o Gian Lucca para para cada inseto que ele encontra, dá nome, se apaixona pela vida em suas mãos e devolve o bicho com respeito e luto, mas principalmente como um ato de amor. 

Uma semana em tempo real. Tempo que não é perdido, apenas vivido, cheio de vida e de tudo que se traduz como momentos inesquecíveis. Como conviver, conectar-se com o outro de forma respeitosa, vívida. São muitos risos, olhares, abraços, "bom dias”, “boa noites”, e muitos, muitos momentos compartilhados, curtidos e comentados sem ao menos precisar de um celular. É como viver e se sentir parte de uma grande carga elétrica, livre no ar, que só há amor, só há conexão cheia de tudo que nos liga.  De tudo que nos torna humanos. 

Momentos simples e grandes, cheios de emoção e vida. Mas, principalmente, cheios de presente. Dádivas concebidas pelo olhar de um acampamento que nos possibilita o simples, o contemplar de coisas belas, pelo olhar de grandes crianças, grandes humanos. Coisas que nos fazem perceber que não é a grande estrutura do acampamento, tampouco sua grande quantidade de piscinas, muito menos seu acervo de fantasias e materiais esportivos… Mas tudo aquilo que nos faz sentir as conexões humanas. Presentes no mundo. Perdidos no tempo, porque não há tempo atras, nem tempo adiante, apenas presente. Presente no Aruanã. 

Thiago Leite - Tio Piolho
Julho - 2018



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