Me corrói, me consome.
porém, tampouco me mata.
Me faz resistir e seguir.
Existo no agora,
resistindo.
Durando.
É duro, camarada!
Dói de todos os lados.
Me faz pensar...
o que faço?
Resisto...
Aquele tempo absoluto
que mostra quem chora,
quem segue,
quem vive.
É duro, camarada.
Camarada é duro pensar
que é só. Só é.
O mundo gira e não para,
parar para quê? Disse ele?
Há um ser dentro de mim
que pensa: Dói?
Por que não há morte?
Sorte?
Vamos, seguindo...
Esquerda?
Direita?
pra frente? Mas atras não vem gente.
Camarada, é duro!
Não há para onde fugir.
Só doer. Ficar dentro de si.
Sentir a dor que dói.
A dor que dói
sem liberdade,
a dor que dói
sem permissão.
Esta dor que dói
bem no acorde principal.
Da melodia...
da harmonia...
Há dor,
há vida.
Há um tudo que é nosso.
Há um tudo que é nada.
O mundo gira e dói.
É duro, camarada.
Só seguir. Mas é duro!
É duro, Durar.
(Thiago Leite)
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