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Um professor sonhador, artista em crise constante e um poeta de coração.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

O deserto

No deserto, o homem caminha.
Caminhada pulsante.
De momento em momento ele para, estagna-se.
No deserto o calor come.

Ele anda... Ele segue, ele cai.
No deserto, desolado, desqualificado. Ele some.
Andar e parar. Ele não come, Ele não bebe...
No deserto o caminhar é solidão.
Um caminhar sem compaixão.

Ele não come, ele não bebe.
Bêbado com o sal do corpo,
o sal nos olhos, ele não vê.
Ele não ama, ele só clama.
Sem falar, sem pedir, sem sentir.
No deserto ele não é. Ele Está.

No deserto nada nasce.
Nada floresce. Nada cresce.
No seu deserto, ele apenas anda.
Não há frutos.

No deserto em seu caminhar... Ele só mente.
Semente, mente. Semeia, semeadura.
Mentiras do deserto, o sal, o medo, o erro.
Ele caminha nas sementes que não crescem.

Se lembra, se esbarra, se adianta.
Não se lembra de celebrar.
Não celebra a lembrança da vida, da antiga.
A saudade corrói, deprime.
A ansia destrói, oprime.

No deserto não se constrói,
apenas passa... Passa.
O caminhar que destrói.
Ele precisa seguir, clama, chama.

O chegar? Tanto faz...
o caminho se fará ao caminhar.
Seguir, caminhar e desertificar.
Certificará o novo homem.
No deserto, tão cheio quanto seus pensamentos.
Cada grão, infinito, cada chão enquantos...
Cada ele, encantos.
Tudo ele... caminhos!






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