Sei escrever o que sinto,
Perco tudo,
Perco a rima...
Perco o som...
Perco a poesia...
Sinto falta do que senti;
Sinto falta do que escrevi...
Será possível o retorno?
Em memória do que senti.
Hoje penso no ontem,
Ontem é passado,
Não vivo de velhice,
Mas sofro por mudanças...
Onde me encontro?
Onde me acho?
Onde fico?
...
O que senti,
Não terei de volta...
O que pensei,
Perdi.
Escrevo em memória
Do que senti,
Do que pensei...
Senti, não mais o sinto.
O meu âmbito conspirar...
Meu pulmão respirar...
Meu coração palpitar...
Meus sentimentos,
Não penso em nada...
Não vejo meus versos,
Não escuto meu sentido.
Sou quem?
Selo, beijo e ouço.
Como, bebo, ando e choro.
Durmo, sonho e tenho pesadelo.
Você também.
Isto fica sem sentido...
Quando o poeta está perdido,
Sou poeta?
Como podes poeta?
O poeta escreve poesias...
Portanto as tem.
O Thiago escreve poesias...
E não as possui...
Céu...
Mar...
Vida...
Estrelas...
Coração...
Brasília...
São Paulo.
Voar
Tocar.
Sonhar...
Dormir...
Pensar,
Falar.
Não tenho poesias...
Sou poeta?
Não tenho métrica.
Sou poeta?
Não tenho vida...
Sou poeta?
Tenho sentimento,
E sou poeta.
(Thiago Leite)
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