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Um professor sonhador, artista em crise constante e um poeta de coração.

domingo, 15 de abril de 2012

Reparando



                               
      Sento em um banco de uma praça. No centro da cidade. Ali vejo as pessoas passarem, vejo as horas naqueles relógios no meio da rua passarem, vejo os carros passarem. Vejo os pássaros passarem, vejo os incetos passarem. Não vejo, mais sei que as bactérias também passam.
      Repetidamente a música passa na minha cabeça. Os pensamentos voam como nunca voaram! Penso em fazer as coisas que vêm do nada na minha cabeça... E como com rapidez vieram, com rapidez se vão! E a única certeza que sei é que nada sei! Não sei o que sou, o que quero ser... E por quê?
Reparo nas mínimas coisas. Reparo no botão das roupas das pessoas que ali passam com rapidez para chegar em suas casas! E eu ali, sem pressa, sem rumo, sem certeza! O banco está frio! Meu coração está frio! E vontade não tenho, de me levantar; Ou até de piscar os olhos. Não queria reparar em tudo...
Passa uma mulher com duas sacolas, uma blusa razoavelmente quente, respiração ofegante. Com um fio de cabelo pendurado em sua perna. Cadarço desamarrado, testa franzida. Qual o porque? Da vida dela? O que ela leva? E por quê? Ela olha no relógio que eu reparo há horas, e então se acalma, olha para o banco onde eu estou, se dirige á ele... E senta.
      Éramos duas pessoas sentadas no mesmo banco com diferentes porques! Com diferentes pensamentos. Éramos duas pessoas de sexos diferentes.
Eu, sem entender como pode, tantas diferenças em duas pessoas como nós, e acontecer um ato tão igual! Sentar-se em um banco àquela hora, naquele dia.
Ela se levantou, pegou suas sacolas, olhou novamente no relógio, e foi embora.
Ela passou! Ela se foi. A que propósito ela me deixou? Até parece que era alguém de suma importância! Até parece que eu a conhecia há muitos anos... A que propósito, eu penso em tudo isso...
     A noite caiu, e eu ainda estou aqui... Pensando na mesma Música, vendo os carros passarem na mesma avenida, vendo as horas passarem na mesma avenida, as pessoas na mesma calçada, e eu sentado no mesmo banco que agora não está mais frio, foi esquentado pelo meu corpo... Com uma certa diferença em tudo! A música passa na minha cabeça com mais voracidade, os carros com mais pressa e com suas lanternas acesas, no relógio passo á reparar na marcação da temperatura que está muito mais fria que meu coração! E as pessoas, com menos freqüência...
                                                   (Thiago Leite) 2006














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