Li Monteiro Lobato, ele mesmo, e as memórias que escreveu sobre
Emília e o Senhor Visconde de Sabugosa.
Retrato-me então em minhas memórias, tão confusas e redundantes como
os rococós literários, tão complexos como as poesias barrocas,
que se questionam entre si, armazenam-se de si, entreolham-se.
Reconforto-me em minhas memórias, que não existem em meus pensamentos.
Meus sonhos são paixões. Minhas dores são turbilhões.
Vivo em mim, entendo-me em sonhos. Confundo-me.
Grito por dentro, mas só ouço o eco entre meus órgãos.
Mentiras gritadas, rebatem em minhas paredes internas.
Silencio. Não há resposta. Não há saída. Não há...
Questiono-me... Creio em mim. Descreio em meus próprios seres...
sou em vários pontos, vários homens e mim mesmo.
Os crio com poesia, alimento-os com sonhos... E eles crescem.
Não creio neles. Eles são eu mesmo. Mas não creio.
Minha mentira, o meu mundo.
Minha verdade, o vagabundo.
meus sonhos, são mentiras...
Minha verdade: sou confuso.
Portanto, minhas memórias são esquecidas,
obviamente para não serem lembradas.
Apago-me em poesias, grito atras das letras.
Olhos pelos títulos, ecoo pelos textos...
Recrio-me.
(Thiago Leite)
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