Para começar, quem sabe eu poderia falando de alguma grande
e linda árvore...
quem sabe falando sobre os Cedros...
Ou quem sabe, sobre os Flamboyants!
de como são lindos, como florescem, crescem, mudam sua cor,
seu estilo... Como se reproduzem.
Mas não, não escrevi sobre eles.
Não consigo escrever como Rubem Alves,
que compara, Flamboyants, Jaboticabeiras, tantas eiras,
com outras beiras...
Eu poderia ter escrito sobre as Marias-sem vergonha!
Sim, eu poderia ter escrito sobre as ervas daninhas,
sobre um vaso rachado, ou qualquer outro objeto, ser, etc.
Escrevi sobre mim, além de mim, o que está em meu enleio,
rabiscando o que me parece bom e ruim.
Sufocando os que me olham,
me apossando dos que me abraçam.
Por que não fiz igual ao Exupéry?
Com um Baobá fazer mil comparações?
Por quê?
Talvez, seja porque não percorri tantos caminhos como esses poetas arvoristas.
Mas nem que eu fizesse como Drummond, colando Mulheres entre laranjeiras...
Ou como Vasconcellos que monta em sua árvore nos mostrando seus encantos...
Mas o que mostro?
que árvore posso comentar, comparar?
poetizar?
Das árvores que do meu coração se apossaram, as raízes desconhecidas,
não saem mais!
Árvores que sem permissão se plantaram aqui, enraizadas, emaranhadas,
tomam conta de mim.
Coração terra, coração de pedra, que se planta e nasce.
Daquelas árvores plantadas, só restam suas voltas, para seus frutos recolher...
me encantar e botar cor e ação em meu coração...
Não sei plantar árvores em poesias,
mas sei plantar poesias em árvores...
Mas só àquelas que estão plantadas com cor, ação...
nas terras de meu coração!
Thiago Leite
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