eu descobri que não sou nada.
Que não tenho cultura, que não tenho sonhos,
que não penso em nada! Que não tenho cor, que não tenho fome,
que não preciso de nada...
Que não tenho sono, que não tenho roupas, que não tenho nada...
Que o mundo é pequeno e não tem barreiras...
Descobri que eu sei tão pouco que quase não sei nada.
Descobri que os sonhos são coisas distintas de vontades. E que vontades
não passam de impulsos do corpo.
Descobri que posso estar lá, mas sentirei saudades daqui, e
que estando aqui, sentirei saudades de lá. Acredito que isso
significa que o mundo é minha casa.
Descobri que o som do coração está no sorriso de cada um.
Descobri que tenho mais amigos espalhados pelo mundo que o mundo
espalhado pelos amigos...
Cada passo que dou, cada olhar que me permito são sintomas de
uma doença grave... Doença cheia de impactos, de entranhas...
E aí hoje eu sei o que tenho.
Mas acho que não tenho coragem de dizer.
Pois assim seria muito difícil para mim admitir que sou tão pequeno...
E por ser tão pequeno, tenho medo de não alcançar tudo que desejo,
Pois quanto mais eu ando, vejo que estou mais longe...
O meu destino? Aí é que está. Não sei onde é. Não sei onde chegar!
Se você souber algo sobre isso, me avise...
Mas por favor... Mande por cartas, para qualquer endereço,
qualquer lugar...
Pois tenhas certeza, que será lá, onde eu vou estar!
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