Disparada
Geraldo Vandré
Prepare o seu coração
Prás coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar...
Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo prá consertar...
Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu...
Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei...
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei...
Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente...
Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto prá enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu...
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei
De vez em quando eu me pergunto seriamente o que é educação.
Me questiono o que sei, me questiono o quanto sei, e muitas vezes, eu chego a uma conclusão pouco favorável a mim mesmo. Penso que nada sei, penso que tudo que sei é vago e não serve para nada.
Onde há educação, onde há o mundo, é onde há cultura, àquela que me faz sorrir, e me faz saber tudo que não sei sem ao menos estudar trancafiado durante anos, geralmente, estudo ministrado por alguém que se diz dono do conhecimento.
E o que é o conhecimento? Teorias? Falas? Palavras em livros?
"...livros são papéis pintados com tinta..." (Fernando Pessoa)
O mundo é feito de experiencias, e estas são feitas de cultura, Cultura que me enche as mãos de vida e sabedoria.
Infelizmente, somos egoístas perante o que sabemos, e não dividimos, apenas seguramos nossos conceitos por anos, que mais para frente, de nada nos irá servir.
No nosso Brasil, há um grande número de pessoas que se importam com o dinheiro, e o resto, se importa em como conseguir o dinheiro. Porém, há uma classe, que nem é contada como gente, pois desistiu de correr atras de renda, apenas vivem com o que sabem, e com o que acreditam.
Estes, não são dependentes de moedas, nem de estudos, apenas dependem de pulso, que lhe é dado de graça pelo coração.
Enquanto nós, donos do conhecimento, adquirimos formas e conhecimentos que nos são impostos, são calculados e empurrados em nosso convívio pessoal e profissional.
Cultuamos culturas estrangeiras, nos alimentamos de prazeres superficiais, e repassamos a mesma cultura por várias gerações.
E ainda assim, somos "superiores" àqueles que não sabem ler, que não têm dinheiro, nem "conhecimento", somos superiores àqueles que não foram à escola, que não serviram à um método ultra tradicional didático que NÃO MUDA há anos.
Aí, eu me pergunto, para que tanto conhecimento inútil?
Conheço pessoas que nunca aprenderam a ler e escrever, e sabem tocar muitos instrumentos, enquanto eu, que estudei, e mal sei as sete notas musicais.
Conheço pessoas que são analfabetas, e no entanto, sabem muito sobre a vida, o que faz bem à saúde ou não, como e onde se plantar para crescer e dar frutos, como criar filhos educados...
Porém, de algum lugar da superfície, viemos nós, com nosso ar de superioridade, nossos conceitos, e dizemos que estes, são os pobres, que estes, são os manipulados, que estes, são os analfabetos e a classe minoritária... Que este, é o caipira! O Pernambucano, o Mineiro, o Baiano...
O que sei?
O que sinto?
O que faço com meu conhecimento?
Se você, meu amigo, souber... Me responda!
Nenhum comentário:
Postar um comentário